Se demitir Bebiano, Bolsonaro reconhece laranjal e terá que “demitir” o próprio filho e titular do turismo

O caso de Gustavo Bebiano, ministro chefe da Secretaria-Geral da Presidência, revelado pela Folha de São Paulo que mostrou essa semana que o ministro também se utilizou se expedientes pouco republicanos em repasse de verbas do fundo partidário para a campanha de uma ex-assessora, mostra uma fragilidade em um laranjal particular montado pelo partido do presidente em alguns estados.

Segundo a Folha, o então coordenador de campanha de Jair Bolsonaro e hoje ministro, liberou R$ 250 mil a uma ex-assessora, que repassou parte do dinheiro para uma gráfica registrada em endereço de fachada que não possui sequer um maquinário para impressão em massa em Pernambuco.

Durante a campanha, além de ser coordenador, o ministro era também presidente nacional do Partido Social Liberal (PSL), ou seja, responsável formal e legal por autorizar repasses dos fundos partidário e eleitoral a candidatos da legenda.

Érika Siqueira Santos, a ex-assessora, foi a oitava pessoa que mais recebeu dinheiro do PSL nacional em todo Brasil. A ex-assessora declarou ter gasto R$ 56,5 mil na gráfica Itapissu em 6 de outubro, um dia antes do primeiro turno das eleições, a quantia seria destinada a confecção de material de campanha.

A gráfica é a mesma usada por outra candidata, Maria de Lourdes Paixão, que diz ter repassado R$ 380 mil à empresa. Segundo reportagem da mesma Folha, do último dia 10, Paixão foi usada como candidata laranja para receber R$ 400 mil do fundo partidário, o terceiro maior repasse do PSL na eleição. Apesar do volume gasto, a então candidata teve apenas 274 votos.

Em outro laranjal particular, dessa vez com sotaque mineiro, a Folha também revelou, no último dia 04, que o atual ministro do turismo, Marcelo Álvaro Antônio, patrocinou um esquema de candidaturas de fachada em Minas.

Após indicação do PSL de Minas, que foi presidido no período pelo agora ministro, que também foi o deputado federal mais votado em Minas, o comando nacional do partido do presidente Jair Bolsonaro repassou R$ 279 mil a quatro candidatas.

O valor representa o percentual mínimo exigido pela Justiça Eleitoral (30%) para destinação do fundo eleitoral a mulheres candidatas. As quatro então candidatas aparecem no TSE como uma das 20 candidaturas do PSL no país que mais receberam dinheiro público, apesar disso elas tiveram desempenho aquém nas urnas. Juntas, receberam pouco mais de 2.000 votos.

Segundo a reportagem da Folha, do montante total, pelo menos R$ 85 mil foram parar oficialmente na conta de quatro empresas que são de assessores, parentes ou sócios de assessores do hoje ministro de Bolsonaro.

O caso do ministro do turismo gerou mal estar no início da semana passada no governo. Internado, Bolsonaro assinou a exoneração de Álvaro Antônio, mas apesar de ter sido comemorada por deputados federais do próprio PSL, a exoneração foi apenas para que ele assumisse o cargo de deputado federal que não assumiu no dia 1º de fevereiro por estar internado.

Bolsonaro já escolheu um culpado pela crise do laranjal: em conversas reservadas ele responsabilizou Bebiano.

Nesta quarta-feira (13), o filho de Bolsonaro, Carlos Bolsonaro que é vereador no Rio veio a público desmentir Bebiano que negou ontem (12) uma crise no governo e disse ter falado com o presidente três vezes, informação divulgada pelo site O Antagonista.

Carlos divulgou no twitter áudio do pai em que ele alega não que pode se manifestar.

Após a instalação do novo mal estar, Joice Hasselmann (PSL-SP) também se manifestou e alertou que não se pode ter um “puxadinho da Presidência da República dentro de casa”, alertado Carlos sobre a frigideira que acendeu para Bebiano.

Fato é que, ao culpar Bebiano pela crise, Bolsonaro colocou em cheque o ministro. Em nome da moral e dos bons costumes, se realmente for um governo sem corrupção, o presidente terá que demiti-lo. Se o fizer, irá admitir que há, no mínimo, suspeitas e seria obrigado a demitir também o ministro do turismo.

Se não o fizer, passará a imagem de que é complacente com possíveis corruptos o recado trocado para seu próprio eleitorado pode pegar mal, afinal são apenas os governos petistas os donos dessa praga da velha política.

Bolsonaro, caso demita seus ministros, reconhece também um laranjal de um CPF mais próximo: o do filho Flávio Bolsonaro, que não faz parte do governo, mas ronda o Planalto como filho e como parlamentar, e por movimentações atípicas ainda é investigado pela primeira instância da justiça do Rio.

Será que Bolsonaro terá coragem de “demitir” o próprio filho por um caso que também tem cheiro, cor e forma de laranja?

De laranjal em laranjal o governo Bolsonaro vai vendo ser derrubada aos poucos a mística de que corrupção não é uma coisa apenas da esquerda, acontece na direita e, enquanto não faz nada, reforça mais ainda a frase: “Aos amigos tudo; aos inimigos, a lei”.

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