28 de maio: Dia Nacional de Luta Pela Redução da Mortalidade Materna

Por: Ida Peréa

Morte materna é aquela que ocorre durante a gravidez, o parto e até 42 dias após o parto por causa relacionada ou agravada pela gravidez. A crueldade dessas mortes é que mais de 90% delas são evitáveis e ceifam vidas de mulheres jovens deixando seus filhos pequenos na orfandade expostos a alto grau de vulnerabilidade.

O compromisso internacional do Brasil com a meta do milênio de reduzir a taxa de mortalidade materna para 35/ 100.000 nascidos vivos até 2015 não foi cumprido ficando em 62 ou seja, quase o dobro do acordado. As desigualdades regionais do país, também se refletem nas taxas de mortalidade materna sendo a região Norte a que mais contribui, ostentando uma taxa 84,5 mortes por 100.000 nascidos vivos, seguida da região Nordeste com 78.

Em maio do ano passado o Brasil reiterou a meta dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) de até 2030, reduzir a mortalidade materna para 30/100.00 nascidos vivos.

Por outro lado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera que reduzir as gravidezes não planejadas, é forma mais eficiente, eficaz e barata de reduzir morte materna e propõe uma série de estratégias para essa abordagem, sendo a principal delas, a atenção à saúde sexual das adolescentes com empoderamento das meninas para a tomada de decisões positivas sobre o momento de iniciar a vida sexual, a negociação da proteção com o parceiro (uso de preservativos) e a oferta de métodos contraceptivos de longa ação.

Enfrentar com responsabilidade o grave problema da gravidez precoce é fundamental, pois segundo o relatório da OMS sobre a saúde dos jovens publicado em 2016, a principal causa de morte de adolescentes do sexo feminino entre 15 e 19 anos são complicações na gravidez e do parto.

Rondônia vem ensaiando ações bem-sucedidas nesta direção com a oferta de métodos contraceptivos após o parto antes da alta hospitalar, uma estratégia também fortemente recomendada pela OMS, pela Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) e pelo Ministério da Saúde que hoje disponibiliza o DIU de cobre como única opção para o caso.

Em 2017, a Secretaria Estadual da Saúde SESAU, a exemplo de outros Estados e Municípios da Federação, passou a disponibilizar um outro método, que pode ser iniciado após o parto, antes da alta hospitalar que é o implante contraceptivo (IMPLANON) para atender adolescentes da zona urbana de Porto Velho, onde se observa a maior incidência de gravidez em adolescentes no Estado. Entretanto, nascem por ano em Rondônia, 5.500 crianças filhas de mães adolescentes das quais, 1.500, em Porto Velho, que precisam ter acesso a um método contraceptivo, seguro, reversível e de longa ação.

Rondônia ocupa a 13ª posição na lista do PIB per capta entre as unidades da federação e precisa investir parte de seus recursos na futura população produtiva do Estado que são os adolescentes. Hoje ostentamos uma incidência de 60 partos para cada 1.000 adolescentes. A gravidez precoce rouba as possibilidades de prosperidade destas meninas e dos seus filhos.

*Ida Peréa, Médica especialista em Ginecologia e Obstetrícia, Mestre em Ciências da Saúde, Bacharel em Direito

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