Bolsonaro reclama de ações contra o coronavírus e diz que MP visa 'preservar' empregos

Por: Guilherme Mazui — G1 Brasília

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira (23) que medidas “excessivas” adotadas por governadores para enfrentar a pandemia de coronavírus poderão ter efeito colateral “danoso”.

Segundo o presidente, a medida provisória que permite que contratos de trabalho e salários sejam suspensos por até quatro meses durante o período de calamidade pública é uma forma de “preservar empregos”.

“A vida das pessoas está em primeiro em lugar. Agora, um detalhe: a dose do remédio não pode ser excessiva de modo que o efeito colateral seja mais danoso do que o próprio vírus. Esse é o cerne da questão”, disse Bolsonaro na saída do Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República.

O presidente vem criticando governadores nos últimos dias, como o paulista João Doria (PSDB-SP) e o fluminense Wilson Witzel (PSC-RJ), em razão de medidas de distanciamento social, com paralisação de atividades comerciais, por exemplo.

“Ninguém está demitindo ninguém. O que eu reclamo é que tem algumas autoridades que estão ministrando um remédio em excesso, que leva ao desemprego”, afirmou.

Bolsonaro informou que terá duas videoconferências nesta segunda, uma com governadores da região Norte e outra com governadores do Nordeste, para discutir ações contra o coronavírus. Chefes do executivo de outras regiões deverão participar de videoconferências nos próximos dias.

Medida provisória

Sobre a MP editada no domingo, Bolsonaro destacou a possibilidade de colocar funcionários em férias, o que ele considera “melhor do que ser demitido”.

“Flexibiliza mais ainda a CLT, é uma maneira de preservar empregos. Diminui tempo do aviso prévio, permite que se entre em férias agora, que é melhor do que ser demitido, basicamente é por aí essa nossa MP”, disse Bolsonaro.
O presidente disse que não é possível “evitar” os efeitos do coronavírus, já que não existem vacina e remédio. Assim, segundo ele, o governo trabalha para estender a curva de contaminação (diluir no tempo o número de contágios). Nesse período, conforme Bolsonaro, não se pode levar o “pânico” aos brasileiros.

“Nós não temos como evitar os efeitos do coronavírus. Não tem vacina e, por enquanto, ainda não tem tratamento. Nós não podemos levar o pânico para a sociedade, porque o pânico é uma doença também, mais grave que a própria causa do vírus”, disse.

“Estamos fazendo o possível, não dá para ir além do que estamos fazendo”, acrescentou.

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