“AMAR”mentar…

Eu não consegui! É isso, sou mulher/mãe que não consegui amamentar o meu filho! Pensei o quão frágil nós somos. Pensei o quanto as mães sofrem caladas, vendo o seu leite secar, chorando com dores excruciantes ao amamentar, ou mesmo não sabendo o que fazer, pois o bebê está chorando sem parar e ela acha que está passando fome. Pensei no quanto os profissionais da saúde falham ao dar suporte para nós, mães, que muitas vezes gritam por socorro.

Por isso resolvi escrever o que sinto. Considero um desabafo também. Gostaria de poder ajudar mais. Gostaria de não ser uma só.

Hoje, vim contar meu caso de amamentação, para todas as mamães que tiveram dificuldade em amamentar e por algum motivo, não conseguiram.


Como no primeiro textinho que escrevi aqui na coluna, o nascimento de um filho é algo mágico, e se tornar mãe faz parte de todo um processo em que cresce um amor que não cabe no peito.


Dificilmente alguma mãe não quer ou não pode amamentar, por alguma razão médica, como doença ou algum tratamento que não é possível a amamentação. Sendo assim, a grande maioria das mães quer amamentar, e quer muito!


Ouvimos tanto que o leite materno é o melhor para o bebê, que é o alimento mais perfeito do mundo, que protege contra inúmeras doenças para a mãe e para o bebê, que fortalece o vínculo, que é um ato de amor…isso tudo é maravilhoso, mas de nada adianta SABER TUDO ISSO se não recebemos o apoio, a ajuda e o suporte que precisamos para conseguir tornar a amamentação uma realidade.

Amamentar deveria ser algo natural e esperado para as mães. Basta colocar o bebê no peito que ele vai mamar. Isso acontece com muitas mulheres, que nunca tiveram dificuldade para a amamentar e sempre foi algo prazeroso. Para outras mulheres, com um pouco de insistência e boa vontade, mesmo sem a ajuda necessária, com, sem ou apesar de suporte clínico, serão capazes de amamentar. Entretanto, para muitas mulheres, se não tiverem ajuda correta, nem o suporte necessário, elas não terão sucesso em amamentar, e o desmame precoce é a triste consequência disso. Conseguir uma boa ajuda e informações corretas nem sempre são fáceis de encontrar. O mais comum é ouvir conselhos conflitantes de médicos, enfermeiras, outra mães e amigos, e fica difícil saber qual seguir. Bons conselhos e informações corretas são escassos.

É preciso ouvir, é preciso ter compaixão, amor… é preciso ajudar de verdade! Não adianta falar para uma mãe que está com mamilos machucados, que sente dor ao amamentar, que o bebê chora o tempo todo (de fome muitas vezes!) que é só dar o peito e tudo vai passar… as vezes passa… mas as vezes não… e isso culmina num desmame precoce! Se você é incapaz de oferecer ajuda (isso significa ajuda mesmo e não somente “coloca no peito que uma hora dá certo”), fazer afirmações negativas e desencorajamento não ajuda muito. ACREDITE, foi o que mais ouvi durante os dias em que amamentei o João.

A verdade é que o desmame dói! Dói para o bebê é dói para nós, mamães, ainda mais em um meio familiar onde tudo é “você MAMOU tantos anos, você NÃO QUER DAR O PEITO para seu filho…”, pode não ser dor física, mas dói o coração…Vem o sentimento de culpa, de insegurança e incapacidade… era o que eu mais sentia quando ouvia frases do tipo.

Será que uma mãe que quer o melhor para o seu bebê pode ser culpada por isso? Eu sinceramente acredito que não. Já ouvi tanta coisa errada (palpite, afirmações, orientações) erradas vindo de tanta gente diferente, que considero que a mãe que conseguiu amamentar é uma verdadeira heroína, dada as circunstâncias que jogam contra. Mamães, tirem essa culpa de vocês. Vocês não são menos mães porque não amamentaram, ou porque por algum motivo o bebê acabou desmamando cedo. Se existe alguma culpa no processo todo, acredite, ela não é sua. Bola pra frente! A vida é um constante aprendizado, quem sabe nossa vivência não pode ajudar outras mães? Ou as próximas gestações? Ou nossos netos?

Quem somos nós para julgar o próximo? Será que sabemos que dificuldades e problemas aquela mãe passou? O quanto ela gostaria de amamentar mais? O quanto ela passou noites chorando porque seu bebê queria cada vez menos o peito e ela sentia que tinha cada vez menos leite?
Por isso mamãe, se você não conseguiu amamentar, seja por falta de informação, de suporte familiar, questões emocionais, insegurança, medo, doença… ou mesmo se decidiu não amamentar… não, não estou aqui para julgar você.

O João parou de mamar aos 2 meses, introduzi a fórmula e ele está sadio. Não adoeceu, não ganhou peso a mais, não é MENOS do que o bebê que mama o leite materno. Eu coloquei na minha cabeça que a culpa não era minha por não amamentar mais. Só nós, MÃES, sabemos a luta, a dor que é o desmame.

O meu apelo aqui é: Não lutem sozinhas! Se você ainda está com dificuldade para amamentar, mas o bebê não desmamou completamente, e você ainda tem forças para tentar mais um pouco, procure ajuda! Mas, se não conseguir, ESTÁ TUDO BEM! Você continuará sendo MÃE, não se sinta INFERIOR. O que importa é a saúde e o bem estar dos nossos pequenos.


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